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CAVALHADAS DE PIRENÓPOLIS
08-06-2003
Há 185 anos ininterruptos que são celebradas as Cavalhadas de Pirenópolis, em Goiás. Pelo menos é o que afirmam os organizadores da festa máxima do folclore local.
Acontece no campo de futebol, transformado em “campo de batalha” entre os cavaleiros engalanados da disputa entre
“mouros e cristãos”.
Um belo espetáculo, um visual grandioso, pomposo mas um tanto repetitivo.
A encenação vem sofrendo modificações ao longo do tempo. Neste ano começou por um desfile de grupos de “pastorinhas”, de violeiros, de estudantes, jovens vestidos de cowboy (que logo apresentaram um número de dança, seguidos de uma banda de músicos.
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário ao fundo - centro histórico.
O ponto central da abertura foi a leitura de um texto sobre a tragédia do incêndio que destruiu a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário no ano passado, apresentado em tom dramático, com música eletrizante!
Houve discursos, números de danças, nomearam todas as autoridades presentes, incluindo o Governador Marcondes Perillo e entraram os “mascarados” em dezenas de cavalos, fazendo barulho com os guizos e foguetes. É a parte divertida e jocosa, com fantasias criativas: diabos, caveiras, monstros, sempre em bandos.
É a alegria da garotada e custam a sair de cena, sempre irreverentes, muitos já bêbedos, sob a ameaça de expulsão pela polícia...
Participantes disputam corrida durante a Cavalhada — Foto: José Medeiros/Gcom-MT
A “batalha dos mouros e cristãos” seguiu um ritual centenário, tem um texto próprio e é o atrativo maior para os turistas e os fotógrafos. Um tanto longo, um tanto monótono, mas sempre bonito e significativo.
Os convidados assistem de uns toscos camarotes construídos de madeira e cobertos por folhas de palmeiras.
O público popular empoleira-se em arquibancadas de madeiras enquanto os restantes ficam de pé ao longo da tela de arame do estádio. Muito sol, muito calor, muita gente.
Na noite anterior fomos NILDO (Juvenildo) e eu (Antonio Miranda) ao “Theatro” para o espetáculo das Pastorinhas, que acontece depois da missa, da procissão e da grande queima de fogos de artíficio às margens do rio das Almas (que assistimos de um lugar privilegiado, dos fundos do quintal da casa de nosso amigo José Reis.
As Pastorinhas é uma peça teatral acompanhada de um conjunto musical, com números de dança. O texto deve ser de origem portuguesa, via Nordeste do Brasil, e vem sendo encenada em Pirenópolis por muitos anos, sempre com a mesma coreografia. O conteúdo é religioso e os trajes das “pastorinhas” lembram as tradições de Portugal.
O sucesso da peça deve-se sobretudo à presença de jovens senhoritas da sociedade local, com uns poucos homens em papéis como do Velho, do Diabo, do garoto.
Aparecem anjos, bruxas e até uma cigana que é “convertida” ao cristianismo... A família, na plateia, fica exaltante com suas filhas bem trajadas, bem penteadas, no esplendor da juventude, assim como os namorados e pretendentes. Mais do que um ato de fé — que certamente conserva — é uma celebração social.
A música é bonita e as melodias muito repetitivas, com uma coreografia muito parecida e excessivamente longa para os costumes atuais. Começa depois das 10.30 horas e vai até a 1 ou 1.30 horas da manhã, sem intervalo.
A cidade estava literalmente lotada de turistas, com um trânsito muito intenso. Só o centro próximo à Meia-ponte e arredores é que é reservada para os pedestres, transformando-se num burburinho de gente caminhando, com muitas barracas vendendo comidas e bebidas e parte das mesas e cadeiras destinadas aos adictos das cervejas e refrigerantes.
Na praça do Coreto acontece sempre uma feirinha de artesãos e vira palco para cantores de MPB e rocks, alguns de boa qualidade. É sempre um passeio muito agradável!
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